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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Da logística ao supply chain management

        Talvez a maior confusão esteja associada à infraestrutura. É recorrente ouvirmos o termo logística confundido com infraestrutura, isto é, quando temos falta de recurso como no caso de rodovias em condições precárias, filas em portos, aeroportos, e ouvimos alguém dizendo que temos um problema de logística, quando na verdade o que temos é um problema para logística, que é quem tem a responsabilidade por planejar, implementar e controlar o fluxo eficaz e ao menor custo dos materiais de e para uma empresa, incluindo as informações relacionadas, com propósito de atender as necessidades dos clientes.
A evolução da logística parte dos anos 1970 quando não havia coordenação entre as várias funções entendidas como logística, especificamente com introdução da gestão da distribuição física e transportes, mas ainda com cada função comprometida exclusivamente a atingir sua própria meta organizacional.
Nos anos 1980, começa-se a ouvir uma transformação para a integração das funções, o que no Brasil ganhou mais impulso nos anos 1990, já que nos anos 1980 além de uma situação econômica desfavorável a grande preocupação dos empresários estava relacionada com a inflação, então a dedicação maior estava associada aos aspectos econômico-financeiros e não de cunho operacional.
No período 1990 – 2000 surge um novo fator no ambiente empresarial, o bug do milênio que motivou as empresas a atualizarem seus sistemas integrados (ERP) para aqueles Y-2000 compatíveis e a possibilidade de integração entre os sistemas empresariais, resumindo, a logística trata da integração intra-empresarial e o gerenciamento da cadeia de abastecimento (supply chain management – SCM) da integração inter-empresarial.
O sistema abrangente da SCM aumenta o âmbito, incluindo fornecedores e clientes, nos diversos níveis (dos fornecedores dos fornecedores até os clientes dos clientes) com a coordenação, com vistas a racionalização/otimização, do fluxo de materiais e informações desde a aquisição das matérias-primas até  o consumo do produto acabado.
Os objetivos do Supply Chain Management (SCM) são para eliminar redundâncias, e reduzir o tempo de ciclo e inventários de forma a fornecer melhores serviços aos clientes ao menor custo.
O foco deslocou-se do compartilhamento do paradigma de market share para o paradigma do cliente, onde o objetivo é criar “valor do cliente”, levando ao aumento da lucratividade das empresas, o valor do acionista, e vantagem competitiva sustentável no longo prazo.
Logística envolve a obtenção da fonte certa, do produto certo, na quantidade certa e na qualidade certa, no lugar certo e na hora certa, para o cliente certo ao preço certo. A cadeia de abastecimento consiste dos fornecedores, a varejista e os clientes finais, ou consumidores.
O propósito de uma rede integrada em uma cadeia de abastecimento é atender os pedidos dos clientes através da geração de valor entre as funções, que incluem:
-        Suprimentos;
-        PPCP – planejamento, programação e controle da produção;
-        Gestão de estoques;
-        Processamento de pedidos;
-        Movimentação e Armazenagem (hoje denominadas intralogística, termo criado pela Deutsche Messe responsável pela CeMAT);
-        transporte;
-        Gestão da informação.
Logística é um fator-chave de colaboração e integração da cadeia. Melhorar o desempenho neste campo permite que as cadeias de abastecimento aumentem significativamente a sua eficiência e contribui na criação de valor e inovações em diversas áreas.
Neste contexto, uma tarefa importante é encontrar estruturas e abordagens que permitam todos os tipos de gestão de desempenho em logística e cadeias de abastecimento para um melhor atendimento das necessidades do cliente.
Gestão da cadeia de abastecimento é uma abordagem inter-função incluindo o gerenciamento do transporte das matérias-primas, aspectos do processamento interno de materiais em produtos acabados, e o movimento das mercadorias até o consumidor final.
Como as organizações se esforçam para se concentrarem nas suas competências essenciais (core competences) e buscando maior flexibilidade, reduzem sua propriedade das fontes de matérias-primas e canais de distribuição. Estas funções são cada vez mais terceirizadas para outras entidades que possam desempenhar melhor as atividades ao menor custo ou de forma mais eficaz.
O efeito é aumentar o número de organizações envolvidas na satisfação do cliente, reduzindo o poder de gestão das operações logísticas diárias.
Menos poder e mais parceiros levou a criação dos conceitos de supply chain management. O propósito da gestão da cadeia de abastecimento é melhorar a confiabilidade e a colaboração entre parceiros da cadeia de abastecimento, melhorando assim a visibilidade dos estoques e da velocidade de movimento dos materiais. Há quatro áreas de decisão importantes na gestão da cadeia de abastecimento:
  1. Localização
  2. Produção
  3. Inventário
  4. Transporte (distribuição)
E há muitos elementos estratégicos e operacionais em cada uma dessas áreas de decisão.
Distinção entre Logística e Supply Chain Management (SCM)
Na literatura, logística e Supply Chain Management (SCM) são muitas vezes usados ​​como sinônimos, embora haja uma sutil diferença entre os dois.
Supply Chain Management (SCM) é mais estratégica na sua natureza enquanto que a logística é mais orientada para as operações. Enquanto Supply Chain Management (SCM) lida mais com as ligações na cadeia, contratos e relacionamentos, seleção de fornecedores, informações e fluxos financeiros além de fluxos de materiais, criando novas instalações, tais como fábricas, armazéns e centros de distribuição, e questões mais amplas, tais como economia, sociedade, governo e meio ambiente, o escopo da logística é mais ou menos confinado ao trabalho de rotina de transporte e armazenagem de mercadorias.
No entanto, pode-se perceber que a logística é o núcleo de Supply Chain Management (SCM), se a logística falhar, toda a cadeia se rompe.

Fonte: Logística Descomplicada

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vale cria empresa de logística

A Vale trabalha na criação de uma nova empresa de logística para abrigar ativos e contratos que envolvem a prestação de serviços para carga geral, um mercado em expansão no Brasil. O projeto em discussão na mineradora prevê a abertura de capital dessa nova empresa no Novo Mercado da BM&F Bovespa até 2012. A Vale deverá ter uma participação em torno de 30% na Vale Logística, como vem sendo chamada a futura companhia, dependendo do apetite do mercado na oferta pública de ações.
O perfil de negócio da Vale Logística será bem diferente da Log-In Logística Intermodal, empresa de capital aberto, na qual a Vale é sócia com 31,3%. A mineradora vem estudando se desfazer da Log-In, que é focada no transporte de carga em contêineres na costa brasileira, a chamada navegação de cabotagem.

Os serviços de logística garantem à Vale uma receita importante. Em 2010, esses serviços geraram uma receita de R$ 3,2 bilhões, com aumento de 14% ante 2009. Em média, cerca de 80% desse valor corresponde ao transporte de carga geral, que inclui produtos como soja, combustível, madeira e siderúrgicos.
No segundo trimestre deste ano, o faturamento com serviços de logística alcançou R$ 950 milhões, com crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2010. A receita total da Vale no trimestre foi de R$ 25,6 bilhões.
A rentabilidade do negócio de logística, porém, está em queda. A margem Ebit, que é a relação entre o lucro antes de juros e impostos e a receita líquida do segmento, caiu de 23,5% no segundo trimestre de 2010 para apenas 0,5% agora. Segundo a companhia, houve crescimento dos custos nas operações ferroviárias, principalmente por causa da contratação de pessoal, do aumento de preços e volumes de combustíveis e de serviços de manutenção.
A Vale Logística deverá reunir sob seu guarda-chuva as estradas de ferro Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e Ferrovia Norte-Sul (FNS), o terminal portuário da Ultrafértil, no porto de Santos, que pertence hoje à Vale Fertilizantes, e mais os contratos de carga geral com terceiros que venham a ser firmados para transporte na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e na Estrada de Ferro Carajás (EFC).
Os ativos indicam que a estrutura da Vale Logística pode ser mais competitiva do que a da Log-In, cujo plano de negócios é visto com ceticismo por parte do mercado. Na visão de uma fonte, a nova empresa atuará em um nicho de mercado, o transporte de carga geral via ferrovias, que vem crescendo a taxas importantes no país.
O projeto ainda está em fase de formatação e modelagem. E é alvo de consultas jurídicas sobre processos de transferência de ativos da Vale para a futura Vale Logística. No caso, os ativos envolvidos são as ferrovias FCA e FNS e o terminal do porto de Santos.
A FCA tem malha ferroviária com mais de 8 mil quilômetros que atravessa sete Estados do país, incluindo as regiões Sudeste e partes do Nordeste e Centro-Oeste. Já na FNS a Vale tem uma subconcessão com a estatal Valec pela qual a mineradora tem direito a explorar 720 quilômetros dessa estrada de ferro, que serve o Centro-Oeste e liga-se ao Nordeste (Maranhão) via Estrada de Ferro de Carajás.
A atividade de carga geral não é prioridade da mineradora, apesar de ser considerada rentável. A ideia da Vale, segundo fontes próximas da companhia, é dispor de recursos do mercado acionário para esse negócio, enquanto destina o dinheiro do caixa para custear os projetos de mineração, foco da empresa.
Só no segundo trimestre deste ano, a receita de transporte ferroviário de carga geral foi de R$ 757 milhões. O resultado foi influenciado pelo início da safra agrícola no Brasil, no segundo e terceiros trimestres.
De abril a junho, as ferrovias da Vale (Carajás, Vitória a Minas, Centro Atlântica e Norte-Sul), além da fatia proporcional de participação na MRS Logística, transportaram 7,043 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU) de carga geral para os clientes. Os portos e terminais da companhia movimentaram 6,643 milhões de toneladas de carga geral no período.
As principais cargas transportadas pelas ferrovias da Vale, no segundo trimestre, foram produtos agrícolas (48%), insumos e produtos siderúrgicos (33%), materiais de construção e produtos florestais (11,3%), combustíveis (6,7%) e outros (1%).
A performance da carga geral reforça o plano da mineradora de ter uma empresa na bolsa operando esse tipo de negócio, avaliam analistas. (Colaborou Ana Paula Ragazzi, de São Paulo)

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br